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Uma aula de fotografia com o professor Gerson Turelly 

Bruno Alencastro - repórter colaborador da CâMerA ViAjANTe

Gerson Luís Turelly é bacharel em Administração de Empresas, fotógrafo profissional e professor de fotografia. Atuando, principalmente, com fotografia de eventos, Turelly teve seu trabalho reconhecido em diversos concursos de fotografia. Entre eles, foi o vencedor dos concursos “Morros de Porto Alegre” e “Praças de Porto Alegre”, ambos promovidos pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) da capital. Mais do que isso: nas cinco edições que participou, o fotógrafo figurou sempre entre os primeiros colocados.

Vida de Campo - Primeiro Lugar SMAM/2006

Atualmente, atua na área de fotografia de eventos sociais e empresariais, bem como na área de retratos (books). Turelly trabalha, ainda, com fotografia publicitária e desenvolve projetos fotográficos autorais de cunho artístico e documental. Na Agência & Escola e de Fotografia Câmera Viajante, ministra aulas nos cursos básicos de Fotografia Digital e Fotografia de Eventos, além de exercer o cargo de diretor administrativo. Na entrevista a seguir, ele fala sobre o início com a fotografia e um pouco do seu processo de trabalho. Confira!

Tapete Primaveril - Terceiro Lugar SMAM/2007

Bruno Alencastro: Fale um pouco sobre o seu início com a fotografia.

Gerson Turelly: Minha formação é em Administração de Empresas pela UFRGS e, durante muitos anos, minha única atividade profissional estava ligada aos serviços administrativos. Não sei dizer ao certo o motivo, mas desde criança sentia atração pela fotografia. Era uma coisa como me apossar imageticamente de algo que eu queria ter.
Em 1991, fiz um curso de fotografia no SENAC, onde a ênfase maior era no trabalho de laboratório. Em seguida, abandonei o uso da câmera reflex e o tempo para fotografar ficou curto por causa da faculdade e do trabalho. Em 1998, comprei equipamento reflex novamente e comecei a investir em cursos. Um ano depois, passei pelo Foto-Cine Clube Gaúcho, SENAC (onde tive aulas com Rogério Ribeiro e Fernando Pires) e Porão da Fotografia (onde tive aulas com a Iria).
Nesse mesmo ano, participei da minha primeira atividade da Câmera Viajante: um passeio fotográfico à Maquiné. Desde então, passei a ser freqüentador das atividades da Câmera Viajante e, ao natural, fui adotando o Rogério Ribeiro como meu “guru” fotográfico. Aprendi e aprendo demais com ele, tanto pelo seu estilo, como por tudo o que ele me mostrou sobre outros autores ao longo de todos esses anos. Em 2002, passei a realizar trabalhos fotográficos na área de eventos sociais - como uma segunda profissão - e também a dar aulas na Câmera Viajante. Desde 2005, passei a ter dedicação exclusiva à fotografia, abandonando de vez a carreira ligada à administração.

Reflexo - Primeiro Lugar SMAM/2001

Bruno Alencastro: Paralelo ao seu trabalho, você participa de alguns concursos de fotografia. Como você pensa suas imagens para esses concursos? Você já tem fotografias prontas ou espera o tema para produzir as imagens?

Gerson Turelly: Ocorrem as duas coisas, mas dou preferência para a busca de novas imagens, de acordo com o tema do concurso. Em 2008, não consegui destinar tempo para pesquisar, nem para fotografar para o concurso. Das cinco fotos que enviei, duas eram de arquivo, sendo que uma delas foi classificada em quinto lugar. Houve uma manhã, na semana anterior ao prazo final de inscrição das fotos para o concurso, em que destinei menos de uma hora para fotografar para o concurso, no entorno da Praça da Alfândega. Durante este curto período, consegui capturar a imagem que conquistou o segundo lugar no concurso.
Buscar uma imagem mais específica, como acontece nesses concursos - onde se é exigido um tema a seguir e critérios que serão levados em conta para avaliar essa fotografia (tais como criatividade, compatibilidade com o tema, entre outros) - é parecido com realizar um trabalho sob encomenda, porém, é um processo de captura onde o fotógrafo tem bastante liberdade para criar.

Juntos - Décimo Lugar SMAM/2004

Bruno Alencastro: Para se sair bem nos concursos de fotografia, vale muito mais uma imagem em sintonia com o tema proposto do que uma grande fotografia artística, com uma estética que impressiona?

Gerson Turelly: Bem, eu não participo de todos os cursos que são promovidos pelo Brasil a fora, mas, especificamente no caso da SMAM, é isso o que percebo. Na cerimônia de premiação, os fotógrafos assistem a uma exibição das fotos concorrentes, que é apresentada enquanto se espera pelo anúncio dos vencedores. Nestes momentos, percebo que há algumas fotos que têm uma luz maravilhosa, outras têm um trabalho de cor esplêndido e assim por diante. Contudo, as imagens vencedoras, em geral, são simples. Os elementos destas imagens estão em harmonia entre si e há uma notória sintonia entre eles e a cidade de Porto Alegre.
Além disso, sobre o que é necessário para se sair bem em concursos de fotografia, a dica primordial é: esqueça a timidez e o medo de não ganhar nada. Daí então, procure entender qual é a idéia do concurso, o que ele busca valorizar e, literalmente, vá em busca das imagens.

Ocaso Outonal - Terceiro Lugar SMAM/2007

Bruno Alencastro: A preparação para participar de determinados concursos de fotografia exige, em muitos casos, uma verdadeira pesquisa acerca do assunto a ser captado. Em uma dessas oportunidades, você teve que recorrer inclusive ao Atlas, é isso?

Gerson Turelly: No caso do concurso “Morros de Porto Alegre”, recorri ao Atlas para, inicialmente conhecer os nomes e as localizações exatas dos morros de Porto Alegre. Eu lembrava apenas de alguns lugares, os quais eu não tinha certeza se ficavam mesmo dentro de Porto Alegre. Recorrendo ao Atlas da capital, descobri que havia locais que eu não sabia que eram considerados morros. Conheço bem Porto Alegre, visito recantos que a maioria dos porto-alegrenses não vai ou nem sabe que existem. Para mim, ver o mapa dos morros da cidade é como ver a cidade de cima. Isto facilitou a escolha dos locais e horários de luz para fazer as fotos, assim como a distância total a ser percorrida.
Quando eu vou ao local propriamente dito, seja um morro ou uma praça da cidade, começo a visualizar o local de forma diferente, focado no que pode interessar ao concurso. Isto também oportuniza a captação de imagens para arquivo ou portifólio pessoal, as quais eu dificilmente teria tempo para obtê-las. Seja como for (ou para o quê for), o fato é que eu consigo aumentar o conhecimento que tenho sobre a cidade e seus moradores. Além disso, tenho a oportunidade de apurar o meu ‘olhar fotográfico’, pois tenho que mostrar a beleza, o encanto e o mistério daquilo que me é cotidiano, trivial.

Calçada Famosa - Segundo Lugar SMAM/2008

Bruno Alencastro: Ao longo desses anos de história da Câmera Viajante, muitos foram os alunos formados pela Escola que também se saíram bem em vários concursos de fotografia. Nesse ano de 2008, entre os vencedores do concurso da SMAM, quais deles passaram pela Câmera Viajante?
 
Gerson Turelly: Eles foram alunos de cursos e/ou participantes de passeios ou oficinas realizadas pela Câmera Viajante. Neste último concurso da SMAM, figuraram entre os vencedores: Walter Karwatzki, Gelson Luís Bertoletti da Rocha, José Adilson Rocha da Rosa e Kátia Costa.

Alto da Fé - Menção Horonsa SMAM/2006

Bruno Alencastro: Qual a dica que você dá para as pessoas que ainda estão iniciando nesse universo de concursos, muitas delas até como forma de dar visibilidade para seus trabalhos? Onde procurar informações?

Gerson Turelly: Eu faço pesquisa sobre a realização de concursos na internet, assim como em sites especializados em fotografia. Há concursos anuais, como o da SMAM, Porto Seguro, Itaú, SESC, Sioma Breitmann, entre outros. Cada qual com seu foco específico. Eles ocorrem ao longo do ano. Praticamente em todos os meses do ano existem concursos fotográficos recebendo inscrições. Especificamente o da SMAM, o prazo limite para o envio das imagens normalmente é em maio.
A dica que eu posso dar é a seguinte: procure fotografar sempre pensando em fazer uma grande foto. Mesmo que despretensiosamente, pode-se estar fazendo a foto que ganhará um concurso no futuro. E, como já disse antes, conheça o tema proposto no concurso, abandone a timidez, perca o medo e corra atrás da melhores imagens.

Luz Dourada - Quinto Lugar SMAM/2008

Premiações:

2001
- 1º colocado no concurso “Praças de Porto Alegre” (SMAM)
- Menção honrosa no concurso “Estações em Foco” (TRENSURB)

2003
- Selecionado entre os 20 primeiros colocados no concurso “Sioma Breitmann” (Câmera de Vereadores de Porto Alegre)

2004
- 10º colocado no concurso “Imagens de Porto Alegre” (SMAM)
- 1º colocado no concurso “Revele seu amor por Porto Alegre” (Diário Gaúcho)
- 2º colocado no concurso “VII Fotografe Guaíba” (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Guaíba)

2006
- 1º colocado e 2 menções honrosas no concurso “Morros de Porto Alegre” (SMAM)
- Selecionado entre os 10 primeiros colocados na categoria profissional do concurso “Etnias do Sul do Brasil” (SESC)

2007
- 3º e 6º colocado no concurso “Porto Alegre Quatro Estações” (SMAM)

2008
- 2º e 5º colocado no concurso “Porto Alegre em Detalhes” (SMAM)

 

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