Paraty em Foco 2007
Do dia 24 ao dia 28 de outubro de 2007, aconteceu em Paraty o 3o Festival Internacional de Fotografia, e nós, Rejane e Nina, decidimos participar. Conhecemos-nos  em passeios da Câmera Viajante e temos as mesmas paixões: fotografia e viagens. Então resolvemos ir juntas.
Chovia muito no Rio, desmoronou o túnel Rebouças, o trânsito estava um caos e por pouco não perdemos o ônibus no dia 24 para Paraty. Chegamos em meio a chuva e fomos de táxi até o Centro Histórico, onde ficava nossa pousada. Como ali não é permitido a  entrada de carros, já de chegada tivemos que "meter o pé na água". O dono da pousada veio nos buscar com guarda-chuva e nos acomodamos.
Logo em seguida, saímos pra primeira volta e reconhecimento da cidade. Sempre com a câmera a postos. Fizemos muita foto na chuva. Compramos capa descartável e providenciamos capinhas pras câmeras. A cidade estava repleta de fotógrafos com as tais capas e todos parecendo fantasmas coloridos.

Aos poucos fomos fazendo amizade com o pessoal da fotografia. Eram pessoas de diversas partes do Brasil e de outros países, escutávamos conversas nos mais diversos idiomas.
Participamos da palestra de abertura e do coquetel de lançamento, à noite.
Não perdíamos uma oportunidade de fazer fotos originais, no escuro, debaixo de chuva, era abrir só abrir o tripé, ajustar a câmera e clicar. Fomos também à beira do porto, onde barcos dão um show de cores e reflexos.
No terceiro dia o tempo começou a melhorar. Aproveitamos a oportunidade, pois as poças de água nas pedras se ofereciam para as fotos e nos proporcionavam lindos reflexos.

Participei do workshop de Fotografia de Natureza, com o fotógrafo Maurício Simonetti. Pela manhã, uma aula teórica, onde ele fez explicações da importância de se conhecer antes o lugar que será fotografado, os horários mais propícios e a orientação solar, além dos hábitos dos animais quando se quer fotografá-los. Pela tarde, uma caminhada pelo famoso Caminho do Ouro, uma estradinha de pedras na floresta onde, antigamente, era trazido o ouro de Minas Gerais, por escravos e em lombo de burro, até o porto de onde ele embarcava pra Portugal. Andamos por aquelas ruazinhas originais com suas casas coloridas. Algumas datadas do século XVII, com calçamento de pedras arredondadas, lojinhas de artesanato e um povo tão amigo e acolhedor.

No segundo dia, novamente, chuva...
Foram  muitas caminhadas pelas pedras molhadas. Já não tínhamos mais calçados secos e o jeito foi sair de sandálias e molhar os pés. Mas não importava, tudo era lindo e estávamos tendo uma oportunidade única de aproveitar a emoção de vivenciar uma cidade conhecida internacionalmente e cruzando a todo instante com grandes personalidades da fotografia mundial.

Assistimos à palestras de diversos fotógrafos nacionais e internacionais, ouvimos entrevistas interessantes, onde muitos desbancaram "regras" que pensávamos serem importantes, mas que na verdade são feitas para serem quebradas!! No quarto dia, finalmente, muito sol e uma linda manhã.
Fizemos então o sonhado passeio de barco. Uma escuna nos leva, por 5 horas a diversas praias e ilhas, onde, com máscara, mergulhamos com lindos peixinhos listrados e avistamos no fundo, enormes estrelas do mar. Fotografando e fotografando, produzindo muita imagem linda!!

Em Paraty, além da oportunidade de belas fotos, nos sentimos como em épocas passadas, pois no Centro Histórico, só é permitido o acesso a bicicletas e algumas charretes para turistas. As casas são conservadas em sua originalidade, com suas portas e janelas coloridas.
A famosa gastronomia com pratos típicos de frutos do mar fazem bem ao estômago e ao olhos. Os típicos barzinhos com mesinhas na rua promovem à noite uma gostosa reunião de pessoas de todas as partes do mundo.

Domingo, dia de partir e ainda aproveitamos a manhã, agora totalmente ensolarada com o céu completamente limpo, pra um último giro pela cidade. Dessa vez com fotos muito iluminadas.
Arrumar malas pra voltar, despedidas de amigos que fizemos e que ficarão para sempre na nossa vida como lindas recordações, trocas de e-mails, promessas de voltarmos a nos ver em outras viagens, oferecimento de nossas casas para quando virem ao Sul, são rituais importantes. Tudo isso fechando com chave de ouro os dias inesquecíveis que passamos em Paraty e que quando a conhecemos sempre desejamos voltar...

Texto e fotos Rejane Carreta Dominguez
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