Garças e Corujas - Litoral do Rio Grande do Sul
Texto e fotos de Rejane Dominguez
Nesse mês de julho de 2007, aproveitando os dias que fiquei em Capão da Canoa, onde no inverno a praia fica quase que completamente deserta, resolvi treinar meus conhecimentos de fotografia aprendidos nos últimos meses. Caminhando à beira mar, onde minhas únicas companhias eram as aves, quando encontrava uma no meu caminho começava a sessão.
Desde o ano passado, quando apenas tinha uma camerazinha compacta, sem recursos, eu sonhava em conseguir fazer fotos desse tipo, mas via que com ela era impossível. Depois que comprei uma câmera com mais recursos, comecei a aprender o funcionamento e a treinar muito. Primeiro tive umas aulas particulares pra aprender a usar minha câmera e participei de alguns passeios fotográficos da escola Câmera Viajante, onde pude treinar bastante. Fiz também o curso de Fotodigital II, onde treinei mais como usar os recursos, principalmente de abertura e velocidade. E cheguei ao resultado que apresento nessas fotos.
Como minhas saídas para fotografá-las eram em horas diferentes do dia e em condições também diferentes de luz solar, pude experimentar bastante o sistema manual da câmera. Como eu pretendia fazer fotos das aves voando, minha prioridade era a velocidade,  precisava de uma velocidade alta para conseguir o efeito da ave voando congelada sem borrar. Em alguns horários, como o sol estava tão forte, e com o reflexo na areia ou na espuma do mar aumentando ainda mais a claridade, precisei usar velocidades altíssimas, chegando até a 1/4000s para as fotos não sairem com o branco estourado, principalmente nas garças que são muito brancas.
A minha técnica para conseguir captá-las em tantas poses diferentes foi primeiro me aproximar a uma distância razoável onde pudesse fazer um bom enquadramento e focar a ave. Com o botão disparador apertado pela metade, esperava que viesse a onda mais forte o que fazia com que ela voasse, e nesse momento tentava acompanhá-la em seu vôo dando o clique no instante desejado. Posso garantir que isso não foi nada fácil... pois ao voar a ave muda sua distância em relação a mim mudando o ponto de focagem, e muda também a intensidade da luz pela mudança de posição, por isso eu tinha que ser muito rápida e clicar no momento exato,  o que também não é muito fácil devido ao tempo de resposta da câmera.
Nos horários em que o sol estava mais fraco, perto do fim da tarde, ou nos dias que estavam nublados, a dificuldade foi maior, pois eu não podia usar velocidades muito altas, a foto sairia muito escura e em velocidades mais baixas as fotos saiam borradas... Havia também o seguinte problema: eu estava bem perto do mar e esperando que uma onda mais forte viesse para fazer as aves voarem, entretanto a água também me atingia... às vezes até os joelhos... isso nos nossos dias mais frios de inverno, onde a temperatura estava pelos 5 a 8 graus, fora da água...
Também encontrei corujas e quero-queros, esses foram mais fáceis, pois os fotografei parados. Eu precisava apenas me aproximar muito lentamente, ajustar o fotômetro conforme a luz, regulando a velocidade e a abertura necessárias.. apenas ocorrendo um pequeno contratempo quando uma coruja me atacou por trás e por cima deixando as marcas de suas garras na minha cabeça... mas isso é perfeitamente desculpável, ela estava defendendo seu ninho... não podia saber que eu não queria lhes fazer mal...
Mas valeu a pena, consegui fazer as fotos que tanto sonhava, consegui muitos ângulos diferentes, principalmente das garças, que acho muito elegantes!! E pretendo continuar treinando muito, pois espero fazer cada vez melhor, a satisfação pessoal é enorme!!
Copyright © 2007 Rejane C. Dominguez

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