Manaos, o norte imprudente e belo
Texto e fotos de José Alberto Mensageiro
Muito se fala da Amazônia, sua preservação e importância. Para salvaguardá-la, a decisão mais próxima é do seu povo, gente feliz e simples de origem índia e cabocla, que vivendo em cumplicidade, se abriga em sua maior parte em Manaus, capital do reino da floresta. Nela se dá uma mistura sem precedentes, o povo do norte migra para lá, dada a importância e a facilidade dos seus contrastes. Seus limites são a floresta amazônica e o caudaloso Rio Negro.
O Teatro Amazonas habita o imaginário de quem o visita, para a vida inteira. A suntuosidade e o luxo contracenam com a larga avenida que aos domingos recebe a “Feira do Artesanato”. A praça de alimentação improvisada com o sorriso de quem faz uma boa tapioca reflete o cotidiano desta cidade, em suas manhãs.
Transferindo, a “Manaus Moderna”, denominação dada a seu centro promissor e comercial, abriga em seu cais, de forma quase selvagem, centenas de barcos que viajam pelo Rio Amazonas, levando os frutos e a esperança de gente que não teme os riscos em embarcações quase artesanais. A imagem serve ao Jornalista atento, como Roberto Ximenes, para construir páginas que refletem os encantos e os problemas da floresta. Viagens que duram dias, demonstram a ousadia de quem mora no lugar. As populares “rabetas” desafiam as águas escuras do rio, mesmo levando dezenas de caixas de cerveja, o navegador declara intimidade com a natureza e guia o pequeno barco, assim como o gaúcho dá de rédeas a seu cavalo.

Manaus, não vive sem reza. Na hora do entardecer os sinos dobram, a fé revive na alma dos seus moradores e visitantes a fazer suas preces. A Igreja de São Sebastião, vizinha ao Teatro, de beleza secular, recebe as orações e a admiração de quem se ajoelha frente ao altar.
A capital amazonense teima em persuadir nossos olhos, com a força dos seus igarapés, as chuvas permanentes num inverno de seis meses e o crescimento desordenado que empilha casas em suas ribeiras. Ali, “nos morros mal vestidos, é sempre feriado nacional”.

       

A “Festa do Boi”, mais que uma lenda é o retrato festivo do seu folclore. Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho) dividem a atenção das fantasias e da dança, cenário de projeção internacional como é o de Parintins.
O peixe no balcão, no histórico mercado público ou em ruas como a do bairro da Compensa, sugerem a vida sacrificada da maior parte da população.

       

O agricultor sofre com estradas intransitáveis, mas comparte a felicidade de colher seus frutos e ainda aproveitá-los com um leve toque do facão.
Se a Amazônia é de fato uma atenção permanente para o resto do mundo, Manaus é, sem dúvida, uma porta para conhecer o grande significado dessa exuberância, que não só contagia, mas deixa uma eterna saudade para quem a visita.

       

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