Nós, os desbravadores do terceiro milênio, cavalgamos nuvens em modernas aeronaves enquanto os bandeirantes de outrora adentravam as minas gerais em lombo de burro. O grande obstáculo a transpor eram as montanhas, mas eles estavam dispostos a correr todos os riscos porque acreditavam em seus sonhos...
Nós e nossas câmeras viajantes, seguimos suas pegadas, mas em vez de ouro ou esmeraldas garimpamos imagens, perpetuando assim um sonho que se materializou na forma das tantas e magníficas igrejas, na obra do Aleijadinho, e todo aquele jeito mineiro de ser.
Mas nem só de sonhos e imagens vivem os viajantes da câmera, tem o lado lúdico da questão e nós sabemos vivenciar esses momentos: - Em torno de uma mesa estavam reunidos Rogério e seus apóstolos, a noite fria pedia um caldo quente e uma taça de vinho, a conversa fluindo, todo mundo feliz, quando ouvimos rumores no lado oposto da mesa, era o Márcio, que exagerou na pimenta, assim nasceu o Kid Pimenta!
Mas não esquenta Márcio, é só uma pegadinha para quebrar o gelo e congregar o pessoal.
Essa viagem foi pródiga em lances emocionantes. Um marcou pela agressividade de um dos protagonistas, um senhor se arvorando em dono da rua por onde passaria procissão de Corpus Christi, impedindo a passagem da charrete que nos conduzia, de maneira não civilizada, com direito a ameaças e até uma vassourada no cavalo. Só nos restou descer e prosseguir a pé. A Nina tentou argumentar, mas o homem estava irredutível: Por aqui não! É uma falta de respeito - disse ele indignado.
Depois desse entrevero, tive o desprazer de perder minha bolsa com todos os meus pertences e os componentes da minha câmera. Quando terminou a bateria, fiquei sem chão, mas a Simone insistiu em dividir a sua amenizando a minha frustração.
Porém aconteceram coisas lindas também, a visita ao estúdio do Fernando foi muito prazerosa, conhecemos um pouco esse outro lado da vida de um fotógrafo, cujo trabalho se volta para a moda, mulheres bonitas, e outras campanhas publicitárias igualmente interessantes e criativas. Fomos recepcionados com fidalguia pelo Fernando e sua bela namorada Paula, com direito a degustação de pãezinhos de queijo assados na hora, uma gentileza da Júlia, filha do Fernando.
Quando saímos do estúdio fomos para o restaurante confraternizar, rolaram altos papos e muita descontração, pena que nosso tempo nas alterosas se esgotara, era hora de retornar aos pagos, embora com certa relutância da turma.
Amigos! Que saudades dos caminhos percorridos, da exuberante arte do Aleijadinho, da arquitetura colonial e do jeito mineiro de ser.
Saudade é o nome de uma flor, singela e perfumada, saudade é também um jeito triste de amar...
Norma Figueredo |